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Alicate de Contenção com Trava para Soltura Segura de Dourado

Alicate de Contenção com Trava para Soltura Segura de Dourado

Quem fisga um dourado pela primeira vez nas represas do interior paulista nunca esquece a sensação: o tranco seco, os saltos espetaculares e aquela briga teimosa que parece não ter fim. Mas quando o peixe finalmente chega à beira do barco, surge o momento mais delicado de toda a pescaria — manuseá-lo com segurança, tanto para você quanto para ele. É aí que entra um dos acessórios mais subestimados pelo pescador iniciante: o alicate de contenção com trava.

Nas águas de represas como Jurumirim, Chavantes, Capivara e Promissão, o dourado vem se tornando cada vez mais presente, e a prática do pesque-e-solte virou quase uma religião entre quem respeita esse predador dourado de escamas brilhantes. Vamos entender por que esse equipamento se tornou indispensável e como utilizá-lo da forma correta.

Por que o dourado exige um cuidado especial

O dourado (Salminus brasiliensis) é um peixe de combate intenso, com mandíbula reforçada e dentes pequenos mas afiados. Diferente do tucunaré ou do traíra, ele tende a debater-se com força mesmo após ser cansado, o que aumenta o risco de acidentes — tanto cortes nas mãos do pescador quanto lesões irreversíveis para o próprio peixe.

Um dourado mal manuseado pode perder o muco protetor das escamas, sofrer fraturas na mandíbula ou ficar exausto demais para se recuperar após a soltura. E como estamos falando de uma espécie que enfrenta pressão pesqueira crescente nas represas paulistas, cada exemplar devolvido com saúde faz diferença para a manutenção dos estoques.

A função real do alicate com trava

O alicate de contenção, também chamado de fish grip ou lip grip, é uma ferramenta projetada para prender o peixe pelo lábio inferior de forma firme, sem machucar tecidos sensíveis. A versão com trava traz um diferencial importante: uma trava mecânica que mantém as pinças fechadas mesmo que o peixe se debata violentamente, evitando que ele escape e caia no chão do barco ou se machuque.

Para o dourado, isso é fundamental. A boca óssea do peixe oferece um ponto de fixação seguro, e o alicate impede que você precise enfiar a mão na cavidade bucal — onde, além dos dentes, há também o risco de tocar nas guelras e causar danos respiratórios.

O que observar na hora de comprar

Nem todo alicate de contenção entrega o que promete. Antes de investir, vale prestar atenção em alguns pontos práticos:

Material e resistência

Os modelos mais confiáveis são feitos de alumínio aeronáutico ou aço inoxidável. O alumínio leva vantagem pelo peso reduzido — algo que faz diferença em pescarias longas — e pela resistência à corrosão, importante mesmo em água doce, já que o equipamento vive úmido.

Sistema de trava

Existem dois tipos principais: trava lateral deslizante e trava de gatilho. A lateral é mais simples e durável; a de gatilho oferece liberação mais rápida. Para iniciantes, recomendo a lateral, que perdoa pequenos erros de manuseio.

Balança integrada

Muitos modelos vêm com balança digital ou analógica acoplada. É um recurso útil para registrar o peso do peixe rapidamente, sem precisar tirá-lo da água por muito tempo. Procure balanças com capacidade mínima de 15 kg, já que dourados de represa podem facilmente passar dos 8 kg.

Cordão de segurança

Parece detalhe, mas não é. Um cordão espiral preso ao alicate evita que ele caia na água em um momento de descuido — e acredite, isso acontece com frequência.

Passo a passo: como usar o alicate na soltura do dourado

Ter o equipamento certo é metade do caminho. A outra metade está na técnica. Veja como proceder corretamente:

  1. Cansaço controlado: durante a briga, evite prolongar demais o combate. Quanto mais cansado o peixe, menores são as chances de recuperação após a soltura.

  2. Aproxime o peixe à lateral do barco: nunca tente içar o dourado pela linha. Traga-o calmamente até onde você possa alcançá-lo com o alicate.

  3. Prenda pelo lábio inferior: abra as pinças do alicate e fixe-as firmemente no lábio inferior, na parte mais óssea. Acione a trava imediatamente.

  4. Mantenha o peixe na horizontal: se for tirá-lo da água para fotografar, sustente sempre o corpo com a outra mão, na altura da barriga. Nunca segure um dourado apenas pelo alicate na vertical — o peso pode danificar a mandíbula.

  5. Foto rápida: se quiser registrar o momento, deixe a câmera ou celular já preparados. O peixe não deve ficar fora d’água por mais de 20 segundos.

  6. Reanimação: devolva o dourado à água ainda preso no alicate. Movimente-o suavemente para frente e para trás, permitindo que a água passe pelas guelras. Quando sentir que ele recobra força e tenta se libertar, abra a trava e liberte-o.

Cuidados após o uso

O alicate sofre com lama, areia e umidade. Ao final da pescaria, enxágue-o em água doce limpa, seque bem e aplique uma leve camada de óleo lubrificante no mecanismo da trava e nas molas. Esse hábito simples triplica a vida útil do equipamento.

Guarde-o em local seco, de preferência dentro de um estojo próprio ou bolsa ventilada. Evite deixá-lo solto no fundo da caixa de pesca, onde pode acumular umidade e enferrujar pontos sensíveis.

Um investimento que vale cada centavo

Para o pescador que está começando agora nas represas do interior, montar o kit básico envolve várias prioridades — vara, carretilha, linhas, iscas. O alicate de contenção muitas vezes fica para depois, encarado como acessório supérfluo. Mas a verdade é que ele protege duas coisas valiosas ao mesmo tempo: a integridade do dourado e a sua própria segurança.

Mais do que uma ferramenta, ele representa uma postura. Pescar com respeito, devolver com cuidado e garantir que o próximo pescador — talvez seu filho ou neto — também tenha a chance de sentir aquele tranco inesquecível na ponta da linha. Nas represas paulistas, onde a pressão sobre o dourado só aumenta, esse pequeno gesto faz toda a diferença.

BR

Bruno Bracaioli

Editor