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Pontos de Tucunaré Azul na Represa de Chavantes Lado de Ipaussu

Pontos de Tucunaré Azul na Represa de Chavantes Lado de Ipaussu

Quem nunca esqueceu a hora ao sentir aquele tranco seco de um tucunaré azul atacando a isca na superfície? Na Represa de Chavantes, especialmente pelo lado de Ipaussu, essa emoção está ao alcance de qualquer pescador disposto a explorar com paciência os braços, pedrais e galhadas que escondem esse predador fascinante. Para quem está começando na pesca esportiva e quer entender onde fisgar seus primeiros tucunarés azuis nessa região, este guia foi feito sob medida.

A represa, formada pelo Rio Paranapanema, divide os estados de São Paulo e Paraná, mas o lado paulista — em especial o trecho de Ipaussu — guarda enseadas tranquilas, ideais para iniciantes que querem aprender sem encarar correntezas fortes ou navegação complicada.

Por que Ipaussu é uma boa porta de entrada

Ipaussu fica em uma posição estratégica do reservatório. As águas são mais calmas em comparação ao corpo central da represa, há boa infraestrutura para barcos pequenos e o relevo subaquático cria abrigos naturais que favorecem o tucunaré azul (Cichla piquiti). Esse peixe gosta de água parada ou com pouca correnteza, temperatura entre 22 °C e 28 °C e estrutura para emboscar suas presas — exatamente o que se encontra ali.

Outro ponto positivo é a facilidade de acesso por rampas públicas e particulares, o que reduz a curva de aprendizado para quem ainda está se familiarizando com pesca em represas.

Os melhores pontos para começar

1. Braços próximos à foz do Ribeirão das Pedras

Esse é um dos trechos preferidos pelos pescadores locais. A vegetação alagada e os troncos submersos formam o cenário perfeito para tucunarés azuis ficarem em tocaia. Iniciantes encontram aqui ataques constantes durante a manhã, especialmente entre 6h e 10h, quando o sol ainda não está forte demais.

2. Pedrais da margem leste

Seguindo de barco para o lado leste de Ipaussu, dá para localizar paredões de pedra que descem na água. Tucunarés azuis adoram patrulhar essas formações em busca de lambaris e tuviras. Trabalhar a isca acompanhando a linha das pedras é uma técnica simples e produtiva.

3. Enseadas com galhadas secas

As enseadas mais rasas, com profundidade entre 2 e 4 metros e árvores secas em pé, são verdadeiros aquários. Em dias de céu aberto, é comum visualizar o cardume passando. Para o iniciante, ver o peixe atacar a isca é uma experiência que fica gravada.

4. Pontas de ilhas e bocas de braço

Onde o vento bate de frente e cria uma marolinha, o tucunaré costuma se posicionar para emboscar peixes desorientados. Essas “pontas” são especialmente boas no fim da tarde.

Equipamento básico para iniciantes

Você não precisa de equipamentos caros para começar. O ideal é montar um conjunto leve e equilibrado:

  • Vara: de ação média, entre 5‘6” e 6‘0”, com potência para iscas de 7 a 21 g.
  • Carretilha ou molinete: carretilhas perfil baixo são as mais usadas, mas molinetes de tamanho 2500 funcionam muito bem para quem está aprendendo.
  • Linha: multifilamento 0,20 mm a 0,23 mm com líder de fluorocarbono 0,40 mm.
  • Iscas artificiais: zaras, poppers, hélices e plugs de meia-água em cores chamativas (laranja, amarelo e padrão clown) costumam render bem em Chavantes.

Passo a passo para o primeiro dia de pescaria

  1. Saia cedo: chegue na rampa antes do amanhecer. O tucunaré está mais ativo nas primeiras horas.
  2. Comece pelas margens rasas: explore enseadas e galhadas antes de ir para áreas mais profundas.
  3. Faça arremessos curtos e precisos: mire perto de troncos, pedras e barrancos. O tucunaré ataca de tocaia.
  4. Varie o recolhimento: experimente recolhimentos rápidos, com pausas, e trabalhe a isca com movimentos secos da ponta da vara.
  5. Observe sinais na água: revoadas de pequenos peixes na superfície quase sempre indicam tucunaré caçando logo abaixo.
  6. Mude de ponto se não houver resposta em 20 minutos: tucunaré que está ativo costuma atacar rápido. Se nada acontece, prossiga.
  7. Devolva os peixes com cuidado: o pesque e solte garante que a represa continue produtiva por muitos anos.

Melhores épocas do ano

Os meses mais quentes, entre outubro e março, concentram a alta temporada. A água esquenta, o metabolismo do peixe acelera e os ataques ficam mais agressivos. Já no inverno, o tucunaré azul fica mais lento e procura áreas mais profundas — não é o cenário ideal para quem ainda está começando.

Fique de olho também na fase da lua. Muitos pescadores experientes de Ipaussu juram que os dias próximos à lua cheia e nova trazem mais movimento, especialmente logo após frentes frias se dissiparem.

Cuidados, licenças e respeito à natureza

Antes de jogar o barco na água, regularize sua licença de pesca amadora, emitida pelo órgão estadual competente. Respeite o período de defeso, os tamanhos mínimos e nunca descarte lixo, linhas ou anzóis no reservatório. Use colete salva-vidas, leve protetor solar e avise alguém em terra sobre seu trajeto.

Lembre-se: cada tucunaré azul devolvido com cuidado é um futuro ataque para você, um amigo ou até para seu filho daqui a alguns anos.

Levando a emoção para casa

Pescar tucunaré azul em Chavantes pelo lado de Ipaussu é mais do que fisgar um peixe — é entrar em contato com uma das paisagens mais bonitas do interior, conhecer ribeirinhos cheios de histórias e descobrir um esporte que vicia pela adrenalina e pela conexão com a natureza. Comece simples, observe, erre, aprenda e volte sempre. A represa recompensa quem tem paciência e respeito pelo ambiente. Boa pescaria, e que o próximo tranco na sua linha seja inesquecível.

BR

Bruno Bracaioli

Editor